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“ARBEIT MACHT FREI”

“O trabalho liberta”: esta era a expressão que estava, para nosso espanto, nos portões de entrada de campos de concentração nazistas. “Arbeit Macht Frei” era uma declaração de fé na crença de que o trabalho poderia amenizar os efeitos degradantes das condições da prisão – um princípio proclamado nacionalmente na Alemanha daquela época.

“O trabalho liberta”: esta era a expressão que estava, para nosso espanto, nos portões de entrada de campos de concentração nazistas. “Arbeit Macht Frei” era uma declaração de fé na crença de que o trabalho poderia amenizar os efeitos degradantes das condições da prisão – um princípio proclamado nacionalmente na Alemanha daquela época. 

Do mesmo modo, a economia das maiores civilizações clássicas – a grega e a romana – eram fundadas na menos civilizada das condições humanas: a escravidão. Em contrapartida, Aristóteles dizia que “a condição do homem livre é a de não viver sob o domínio de outrem”.

Por incrível que possa nos parecer, ainda no século XXI, essas realidades e conflitos estão presentes em nossa sociedade e organizações. Desafiar a ética protestante do trabalho – “o trabalho dignifica” – tornou-se uma heresia. Sugerir que poderíamos ter mais tempo livre ou questionar o por que fazermos determinados trabalhos são questões vistas com desprezo e desconfiança.

Em outras palavras, poderia o trabalho, nos dias de hoje, ser entendido à luz de modelos teóricos e ideologias desenhadas no século passado ou faz se necessário buscar novas definições, explicações e interpretações? 

No mundo atual, baseado no princípio de que o trabalho dignifica ou enobrece o homem, há, simplesmente, os que trabalham e os desocupados. Comumente somos classificados como ativos, mas é isso mesmo o que somos ou a que fomos reduzidos: ativos vivos que devem gerar rendas?

Estamos encerrados em uma mentalidade que considera o trabalho árduo, porém sendo suas longas horas vitais para a manutenção de nosso padrão de vida. Dessa forma, somos escravos do trabalho e de um sistema que nos “obriga” a trabalhar pela redenção humana.

Porém, o que se percebe ao longo de muitos anos observando pessoas e organizações é que para um efetivo comprometimento dos profissionais com o trabalho é necessário que as empresas estejam fundamentadas em um projeto que efetivamente expresse valores, princípios e crenças em torno dos qual as pessoas possam ser mobilizadas e se sintam comprometidas.

Além disso, as novas gerações que estão chegando ao mercado de trabalho têm novos valores e expectativas em relação à vida, ao trabalho e às organizações. Estes profissionais buscam trabalhos cada vez mais ricos em significados e relevância para si mesmos e para a sociedade.

Assim, é fundamental que as organizações se mobilizem para a transformação, criando organizações dirigidas pelo principio do “poder com” e não “poder sobre”, priorizando a colaboração em detrimento de um sistema que privilegia a hierarquização. Da mesma forma, o ócio criativo, como sugerido por Domenico de Masi, não é necessariamente contrário à produtividade, já que novas idéias necessitam de reflexão e serenidade.

Nesse contexto, a “gestão de pessoas” assume um importante papel, devendo contemplar a administração dos significados e da subjetividade dos indivíduos, sendo o gestor responsável por gerir tal subjetividade. Líderes e gestores, bem como as novas gerações, devem estar atentos a essas novas demandas. Embora esse modelo de trabalho que liberta possa ser fascinante, cabe à nós mesmos cuidarmos para que não nos tornemos escravos.

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