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Habilidades Essenciais da Liderança: a fidelidade

Se a mudança é, de fato, uma constante, se tudo está em transformação; se o ambiente está em permanente alteração; se hoje eu não sou o mesmo de ontem, como falar então em fidelidade, que é a qualidade ou caráter daquilo que é firme e constante, ou seja, daquilo que não muda, como uma habilidade gerencial básica?

Se a mudança é, de fato, uma constante, se tudo está em transformação; se o ambiente está em permanente alteração; se hoje eu não sou o mesmo de ontem, como falar então em fidelidade, que é a qualidade ou caráter daquilo que é firme e constante, ou seja, daquilo que não muda, como uma habilidade gerencial básica?

E por que a fidelidade se inseriria no rol das habilidades gerenciais básicas?

Por que as pessoas deveriam manter uma promessa feita ontem se elas e aquelas as quais tenham feitos essas promessas já não são as mesmas hoje?

Por quê?

Por fidelidade.

Pelo fato de que o fundamento do ser de um indivíduo, ou seja, a sua identidade relacional, que é de caráter puramente moral, está assentada na fidelidade que tenha jurado a si mesma e, conseqüentemente, com a referência que cria com essa atitude para sua relação com os outros e em especial aqueles com os quais convive diariamente, seja na família ou no trabalho.

Se as pessoas, que, não sendo mais as mesmas de ontem, tornam-se as mesmas unicamente porque assim se confessam, assumindo uma determinada história passada como sua, elas se tornam confiáveis.

Ter fidelidade é ser confiável, e confiança é o ingrediente básico para a construção de um relacionamento saudável entre as pessoas nas equipes de trabalho e, em especial, naquelas equipes que se pretendem de alta performance.

Fidelidade pressupõe, assim, memória, e uma pessoa somente pode ser fiel ou infiel àquilo de que se lembra. Nós somos fiéis à nossa memória. Fidelidade é, pois, a virtude de se ser o mesmo pelo qual o mesmo existe ou resiste.

Daí que, ao contrário daquilo que somos comumente levados a acreditar, há boas razões para que as pessoas sejam resistentes às mudanças. Não se abandona gratuitamente uma memória. Os resistentes à mudança são preocupados com o futuro, e a preocupação nada mais é do que a memória do futuro.

Há de se ser, pois, tolerante com os resistentes; há de se tentar compreender aquelas pessoas que têm um zelo maior pela memória. A resistência é um ato de absoluta normalidade.

Ter fidelidade não é, no entanto, recusar-se a mudar de idéia, pois isso seria dogmatismo, nem somente submeter suas idéias a outra coisa que não sejam elas mesmas, emprestando-lhes nesse caso um caráter de fé; e também não é querer considerá-las como se fossem absolutas, pois aí teríamos apenas o fanatismo. Ter fidelidade é simplesmente recusar-se a mudar de idéias gratuitamente, por modismos, sem que se nos apresentem boas e fortes razões para isso. E as idéias não são a verdade.

As idéias e as crenças que temos sobre as coisas, sejam elas de que natureza forem, ou seja, política, religiosa ou qualquer outra, são, na verdade, processos de isolamento das pessoas. Por essa razão, é de fundamental importância que cada um de nós esteja constantemente revendo seu referencial de crenças e idéias, mesmo quando elas se revistam, na aparência, de saber sofisticado e erudição, pois paradoxalmente, ao contrário do que somos levados a acreditar, o saber também isola, e isso é especialmente verdade nas organizações empresariais, em que, de um lado, postam-se aqueles que sabem e, por isso, julgam-se no direito e dever de ter o controle e o comando, e, de outro lado, ficam aqueles que ainda precisam vir a saber e, por isso, devem-se submeter aos controles e comandos dos primeiros.

Sem que isso possa ou queira significar rigidez ou inflexibilidade, há de se ter uma fidelidade a princípios que orientem e estruturem os comportamentos. Essa fidelidade a princípios é verdadeiramente especial em grupos de trabalho em que as pessoas, sendo de diferentes origens e natureza, estão reunidas, tendo, na maioria das vezes, como referência comum, apenas o trabalho e, mais do que o próprio trabalho, as regras de convivência e a forma de executar esse trabalho.

Há de se observar vigilante e permanentemente a nossa relação pessoal com nossa memória, ou seja, com os princípios e valores de relacionamento interpessoal aos quais tenhamos jurado fidelidade, para transformá-lo através da prática, da ação, em habilidades gerenciais.

A fidelidade deve ser sempre uma ação e não um discurso.

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