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Habilidades Essenciais da Liderança: a generosidade

Uma pesquisa realizada pela Fundação Dom Cabral que analisou as tendências do desenvolvimento das empresas no Brasil, visando o cenário de 2015, aponta que a capacidade para trabalhar em equipe será um dos atributos mais importantes requeridos pela organização, juntamente com a liderança e a orientação para resultados.

Uma pesquisa realizada pela Fundação Dom Cabral que analisou as tendências do desenvolvimento das empresas no Brasil, visando o cenário de 2015, aponta que a capacidade para trabalhar em equipe será um dos atributos mais importantes requeridos pela organização, juntamente com a liderança e a orientação para resultados.

Diante dessa tendência  demandante crescente no mercado, por desenvolver os chamados líderes de equipes de alta performance, vamos abordar neste e nos próximos artigos desta coluna alguns dos atributos que consideramos fundamentais para o exercício efetivo da liderança.

Seria possível exercer uma efetiva liderança sem que haja genuíno  compartilhamento e doação, visando um bem comum?

Caso as pessoas fossem naturalmente generosas e menos egoístas do que normalmente são, não haveria por que falar da generosidade como uma virtude e um atributo essencial da liderança.

Mas o que seria essa generosidade sobre a qual se está falando? Como reconhecer uma pessoa generosa?

Essa pessoa não será reconhecida a menos que esteja praticando um ato de generosidade, ou seja, somente será possível reconhecer-se a generosidade através de comportamentos generosos. A generosidade não tem existência por si mesma. Não basta uma pessoa anunciar-se generosa para assim se tornar e ser reconhecida.

Para tornar-se verdadeiramente generosa, cada pessoa deve buscar e exercitar o ser livre de si mesma, abandonando suas pequenas covardias, suas pequenas cóleras e seus pequenos ciúmes. Como temos uma tendência a negligenciar e a desconsiderar as pequenas coisas, deve-se ter cuidado, no entanto, para não permitir que pequenos ciúmes se transformem em grandes invejas. Ter ciúme é desejar estar no lugar do outro, e isso não é de todo mal se não perdermos essa perspectiva do olhar. Invejar, por outro lado, é não querer que o outro tenha ou esteja no lugar em que está. A inveja se faz mais presente ainda quando a tônica que rege a existência desses grupamentos humanos é a competição. Nesse cenário, a generosidade quase inexiste, desaparecendo por completo e talvez por essa razão, paradoxalmente, ela se faz cada vez mais necessária como valor, como ferramenta relacional.

Não se queira, por outro lado, tentar transformar a generosidade em um ato de amor. O amor não se administra. Não há como conseguir que colegas de trabalho, sejam eles gerentes ou subordinados, nutram entre si sentimentos de bem querência, de afeto ou de amor, por um ato de vontade, por uma decisão racional. Para ser generoso, basta que se queira e se decida sê-lo. Amor e generosidade se parecem na forma, por significarem doação, desprendimento e talvez por isso sejam até mesmo confundidos. Mas generosidade e amor são essencialmente distintos, porque doar quando se ama está ao alcance de qualquer um. Ser generoso, ao contrário, é doar sem amar, e aí reside a essência dessa virtude. Nesse sentido, mais a generosidade será exercida e se fará necessária quanto mais difíceis forem as pessoas com as quais se tenha compulsoriamente de se relacionar, por exemplo, em um ambiente de trabalho. Não se escolhe, a rigor, as pessoas das quais vai-se estar próximo nos locais de trabalho. Nesses ambientes, via de regra, o critério que norteia a composição dos times e das equipes é a presumida competência técnica. Assim, as pessoas, como membros de uma equipe de trabalho, além de terem de ser competentes tecnicamente, devem buscar intencionalmente o exercitar da generosidade, uma vez que a convivência de diferentes pressupõe sempre doação. A generosidade deve ser, portanto, uma premissa para se bem trabalhar em equipes. Pessoas competentes tecnicamente, mas incapazes de generosidade, jamais se tornarão realmente líderes ou contribuirão para a formação de verdadeiras equipes de trabalho. Quando muito serão “chefes”, parte de grupos de trabalho, que podem até ser eficientes, às vezes eficazes, mas nunca efetivos.

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