“ARBEIT MACHT FREI”
10/09/2019
Habilidades Essenciais da Liderança: a polidez
10/09/2019
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Habilidades Essenciais para a Liderança: a coragem

Precisamos ter coragem de sermos aquilo que somos, a despeito das possíveis ameaças, veladas ou explícitas, para que isso não ocorra. É preciso coragem para ser e afirmar a própria natureza, sobre aquilo que é acidental. E estar ocupante de cargos ou funções gerenciais, embora não seja assim percebido, é um fato puramente circunstancial nas vidas das pessoas. O que é permanente é a natureza humana. A possibilidade de afirmação do ser essencial de alguém gera a tranqüilidade e traz a alegria, fazendo-o normal. Ser normal é ser a si mesmo e, para ser a si mesmo e, apesar dos “mesmo assim?”, é preciso se ter coragem.

Coragem!

Precisamos ter coragem de sermos aquilo que somos, a despeito das possíveis ameaças, veladas ou explícitas, para que isso não ocorra. É preciso coragem para ser e afirmar a própria natureza, sobre aquilo que é acidental. E estar ocupante de cargos ou funções gerenciais, embora não seja assim percebido, é um fato puramente circunstancial nas vidas das pessoas. O que é permanente é a natureza humana. A possibilidade de afirmação do ser essencial de alguém gera a tranqüilidade e traz a alegria, fazendo-o normal. Ser normal é ser a si mesmo e, para ser a si mesmo e, apesar dos “mesmo assim?”, é preciso se ter coragem.

Porém, mais do que afirmar-se corajosamente como si próprio, que é o que constrói e caracteriza a consciência individual, é preciso se ter coragem para ser parte, para ser mais um nos grupos e equipes dos quais participa, resistindo-se à tentação de se querer ser o mais importante e entendendo que, paradoxalmente, cada um é mais importante que todos. Viver coletivamente significa participar e viver conscientemente os papéis sociais que nos atribuem e que nos atribuímos, compartilhando nossa vida e nossa experiência. Participar e compartilhar, embora possa até não ser evidente, não é alguma coisa que se faça simplesmente, com facilidade, envolvendo, na realidade, uma grande dose da mais pura e genuína coragem que as pessoas possam ter ao seu dispor. De maneira especial, isso se torna verdadeiramente dramático no mundo empresarial. Devido à extrema competitividade interna entre seus membros, que chega mesmo, em alguns casos, a ser até predatória.

Nas empresas, onde viver assim, participando e compartilhando, é quase uma utopia, requer-se-á das pessoas envolvidas muito mais coragem ainda, pelos riscos que envolvem atitudes dessa natureza, apesar de todo o discurso que se estabeleceu sobre as democratizadas relações de trabalho. Esses discursos democratizantes, por ausência de atos e fatos que realmente lhes dêm consistência, soam mais como mecanismos de manipulação e dominação, do que como crenças genuínas sobre a natureza mais humanizada do relacionamento entre as pessoas.

Participar, além do sentido aqui emprestado de ser uma parte, pode ser entendido também como tomar parte, ou como compartilhar. E, em qualquer dos sentidos empregados, a pessoa que participa tem de necessariamente ceder, conceder, barganhar e trocar. Enfim, ela terá de negociar.

Para negociar, é preciso que se reconheça, como premissa, que os negociadores, independentemente de seu status, em qualquer posição em que estejam, têm total direito de veto àquilo que difere de sua convicção. Não sendo assim, ou seja, não se pressupondo direitos iguais de veto, não há verdadeiramente uma negociação. Em posições gerenciais, esse é um exercício de elevado grau de dificuldade de ser praticado, em função do posicionamento quase sempre imperial da grande maioria dos gerentes, não obstante o discurso liberalizante que prega a gerência participativa como moderno recurso de gestão organizacional. Para conviver com relativo grau de liberdade, é preciso, pois, muita coragem.

Não se tem de ser, no entanto, como heróis, que se caracterizam pela ausência do medo. Mas, ao contrário, admitindo o medo, coragem seria a decisão de enfrentá-lo. No mundo empresarial, é comum mesmo que se ouça dizer que gerenciar é correr risco. Coragem é, portanto, uma habilidade gerencial básica. Sem coragem, o que teríamos seria um bando de zumbis burocratas, cumpridores obtusos de normas e regulamentos, utilizados para não se pensar. Para cumprir essa empobrecida tarefa, não é necessário remunerar tão bem a uma pessoa, sendo bastante que se tenha um “software” que oriente as pessoas sobre o que é permitido e o que é proibido. Seria muito mais lógico e barato. Gerenciar seria justamente o oposto, seria o criar normas, e, para criar normas e novas formas de decisão, é preciso coragem. A decisão nos torna indivíduos, porque requer coragem, e toda coragem é singular, é pessoal e é intransferível.

 Nas organizações empresariais, as regras, as normas e as técnicas foram desenvolvidas para gerar padrões comportamentais de ação, voltados para segurança e tranqüilidade, sendo, portanto, meios, meros instrumentos para tornarem o medo ausente das situações de trabalho. Essa universalidade faz com que as empresas, na sua grande maioria, tenham um perfil assemelhado. A lógica e a razão são, por assim dizer, anônimas e universais, ao contrário da coragem que é sempre particular e pessoal. Só a pessoa, como indivíduo, pode experimentar a coragem, porque ela e somente ela, como pessoa e em função de sua estória pessoal, conhece e pode avaliar a dimensão de seu medo.

Não nos tornaremos gestores mais competentes e humanizados pela utilização de lógica e pela técnica, mas pelo fato, pelo amor que tenhamos coragem de manifestar às pessoas que nos são relativamente estranhas. E, para que haja efetivamente coragem, o amor deverá ser manifesto a pessoas estranhas, pois, sem que o amor a si próprio seja condenável e fonte de todo o mal, o amor ao outro é a fonte de todo o bem.

Embora possa não parecer, é preciso coragem não apenas para agir, mas, antes, é preciso coragem para pensar. Ninguém pode pensar por você. Pensar os seus pensamentos é um ato solitário, que demanda coragem, porque se terá de lutar contra si mesmo, contra as ilusões tranqüilizadoras e as mentiras confortáveis.

Paradoxalmente, aquele que age corajosamente transformará sua auto-afirmação em não ser sobre si mesmo, em não ser para si mesmo. Auto-afirmação aqui não é individualismo. Individualismo é a auto-afirmação do eu individual, na qualidade de eu individual, sem considerar sua participação em seu mundo, sem compartilhar. Como diz Tilich, “o eu é eu só porque tem um mundo, um universo estruturado ao qual ele pertence e do qual, ao mesmo tempo, está separado”.

Da mesma forma como o negativo vive do positivo que ele nega, coragem e medo são faces de uma mesma moeda, são complementares. A vida inclui medo e coragem como elementos de um mesmo processo.

Exercer a Liderança é criar novas estruturas de relacionamento humano e, por esse ato, eventualmente, poder até mesmo sofrer pressões e ameaças por parte daqueles que não querem a mudança para essas novas possibilidades de relacionamento porque têm interesses, não importando aqui as razões, em manter o “status-quo”.

Ser realmente um Líder pode significar, em muitas ocasiões, sentir medo, mas, não obstante o medo que se possa sentir, ser Líder significará ter coragem para enfrentar o medo e fazer aquilo que tem de ser feito.

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